Tragédia era imprevisível e não havia necessidade de obra, diz prefeito de Niterói

O prefeito de Niterói, Rodrigo Neves, disse durante uma coletiva de imprensa que a tragédia que deixou 15 mortos no Morro da Boa Esperança, em Piratininga, na madrugada de sábado (10), era de baixa previsibilidade. A declaração contraria depoimentos de moradores da região, que dizem que a área chegou a ser interditada em 2010 após um deslizamento.

“Em 2012 houve inventário sobre área de riscos, nenhum estudo indicava essa área como uma área de alto risco. Sirenes funcionam em Niterói desde 2013, essa comunidade não tinha porque não estavam com apontamentos de alto risco. E mesmo que tivesse sirene, ela não tocaria porque no dia da tragédia não estava chovendo”, explicou Rodrigo.

Wilson Giozza, presidente do Departamento de Recursos Minerais, confirmou que o local do acidente era uma área de baixa visibilidade de risco.

“Houve um estudo para localização das sirenes e esse estudo apontou 42 áreas. Onde aconteceu acidente era de difícil previsibilidade”, disse Giozza.

Ao todo, sete casas foram atingidas e 17 precisaram ser interditadas. Vinte e duas famílias que vivem na região foram afetadas.

O secretário Nacional de Defesa Civil anunciou ajuda federal ao município de Niterói e disse que vai divulgar o valor que será doado após apresentação do estudo do governo do estado e da prefeitura de Niterói. Ele ressaltou que avaliou o local e ratificou que a área era de baixo risco de previsibilidade. A prioridade, segundo ele, é conter uma outra pedra no local que corre o risco de se desprender.

Ainda segundo ele, a população brasileira se preocupa pouco com a prevenção. “Mesmo havendo interdição por parte dos órgãos governamentais constituídos, as famílias não querem deixar seu local, esse é um problema que nós encontramos sério no Brasil. Não só aqui no Rio de Janeiro, mas em todo o Nordeste brasileiro. Acho que a população brasileira tem que ter o costume, quando a Defesa Civil interditar, é pata evacuar a área. Nós queremos é salvar vidas, não queremos tirar elas de dentro de duas casas e sim salvar suas vidas”, afirmou o secretário Renato Newston Ramlow.

O prefeito Rodrigo Neves também agradeceu as doações e o apoio dos moradores da cidade e disse que, por enquanto, não é preciso arrecadar mais doações, pois já chegaram ao objetivo. Inclusive, parte das doações será dada para outros moradores que não foram atingidos.

Apoio às famílias

De acordo com o prefeito, as 22 famílias atingidas terão apoio financeiro da prefeitura e que serão incluídas no projeto para receber unidades habitacionais em dezembro desse ano, no bairro Fonseca.

“Adotamos protocolo de atuação para as equipes, com assistência psicológica para famílias, vamos entregar 280 unidades habitacionais no fim do ano pra pessoas identificadas em áreas de alto risco. Vamos entregar unidades para as 22 famílias que moram nessas 17 casas interditadas da Boa Esperança no dia 20 de dezembro. Vamos também pedir a inclusão dessas 22 famílias no Aluguel Social em regime de urgência”, acrescentou Rodrigo.

Sirenes funcionam em Niterói desde 2013, essa comunidade não tinha porque não estavam com apontamentos de alto risco.

Sete casas foram atingidas com o desastre e 17 residências estão interditadas. Quatorze pessoas morreram no deslizamento e 11 pessoas foram resgatadas com vida, sendo duas em estado grave.

“Tivemos nessa madrugada de sábado uma ocorrência dramática na cidade, que não tínhamos há 6 anos. Estou há 30 horas acordado mantendo contato com toda equipe. Estamos consternados com a tragédia, tivemos 14 óbitos confirmados, lamentavelmente. Vamos decretar luto oficial a partir de hoje pelas vítimas”, disse o prefeito.

Parente de vítimas diz que local estava interditado e que ignoraram pedidos de ajuda

De acordo com laudos da Defesa Civil, houve deslizamentos de terra na região em 2010 e 2016. De acordo com moradores, após a interdição o órgão não teria voltado mais ao local.

“Ninguém fez nada, ninguém respeitou nossas vidas, nossas crianças. Pedimos ajuda, mas ignoraram nossos pedidos. É uma tristeza muito grande”, lamentou a doméstica Sandra da Silva Francisco, que já também já foi moradora da comunidade, mas atualmente apenas as filhas moram no Morro da Boa Esperança. Ela perdeu a ex-sogra e o neto de um ano e nove meses no deslizamento.

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